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Mais que petróleo ou minerais valiosos, a presença crescente da China na América Latina é o grande motor por trás da invasão dos Estados Unidos à Venezuela e do aumento de tensão entre o governo americano e líderes da região, avalia o ex-presidente da Colômbia Ernesto Samper Pizano.
“Acredito que o que está incomodando [Donald] Trump ou que ele quer exorcizar é a presença positiva da China na América Latina”, disse ele à BBC News Brasil, referindo-se à aproximação comercial e aos investimentos do país asiático na região.
A China é hoje o principal parceiro comercial de países como Brasil, Chile e Peru, e há mais de uma década tem feito pesados investimentos na região, especialmente no setor de infraestrutura.
“Os EUA estão muito nervosos porque o que a China fez foi simplesmente percorrer o caminho que eles deixaram aberto”, completa Samper.
Em entrevista à BBC News Brasil, o ex-presidente também comentou sobre a situação atual na Venezuela e sobre a presidente em exercício do país, Delcy Rodríguez, que foi empossada depois que o então presidente Nicolás Maduro foi deposto e detido em uma operação militar dos EUA em 3 de janeiro..
Samper descreve Delcy Rodríguez como alguém “competente” e “preparada”, com apoio “em muitos setores empresariais”, trânsito entre militares e contatos com setores de oposição.
Ele conviveu de perto com a atual mandatária venezuelana entre 2014 e 2017, quando foi secretário-geral da União das Nações Sul-americanas (Unasul), enquanto Rodríguez ocupava o Ministério das Relações Exteriores sob a presidência de Maduro.
“[Delcy] tem uma maneira de ser que lhe permite ter muito diálogo com todos os setores”, disse, na entrevista concedida à reportagem por videoconferência, de Bogotá.
Dos grandes mecanismos de integração, a Unasul está praticamente desaparecida e a Celac [Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos] é um mecanismo sem poder, sem secretário, sem pessoal. Permanecem os processos regionais de integração em algumas áreas importantes.
É importante o [acordo comercial] que acaba de ser assinado pelo Mercosul com a Europa, por exemplo. Esse é um fato de integração importante. Há também o Pacto Amazônico que apresentou avanços, há a integração centro-americana, mas não estamos funcionando como 34 países.
Os acordos de livre comércio que firmamos em má hora com os EUA são mecanismos para retardar a integração à luz dessa diplomacia ideológica que Trump está fazendo e que dividiu os países entre governos amigos e inimigos da política ideológica de Trump.
Esse vírus da politização, somado ao vírus da polarização que as redes sociais conseguiram nesses países, assim como os meios de comunicação que são donos das redes, está produzindo uma crise de representatividade muito grande na região.
Fonte: BBC NEWS BRASIL




