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Por que Donald Trump decidiu bloquear o Estreito de Ormuz após tanto defender a abertura?

Foto: Reprodução da Internet

Desde o início da guerra no Irã, uma das principais consequências foi o fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Desde então, Donald Trump tem atuado incessantemente para reabrir a passagem e aliviar a pressão sobre a economia global. Agora, no entanto, é o próprio presidente norte-americano quem bloqueia o fluxo na região — mas por quê?

O estreito nunca esteve completamente fechado. Os iranianos permitem a passagem de alguns petroleiros de parceiros estratégicos, porém, mediante o pagamento de um ‘pedágio’ que pode chegar a até US$ 2 milhões por navio.

Além disso, as próprias embarcações iranianas também tinham livre passagem, mantendo em funcionamento a principal fonte de receita do país. Segundo a empresa de dados e análise Kpler, o Irã exportou, em média, 1,85 milhão de barris de petróleo por dia.

A estratégia do presidente norte-americano é semelhante à adotada em janeiro deste ano na Venezuela: o estrangulamento financeiro.

Ao fechar a via para embarcações, Donald Trump corta uma importante fonte de receita do governo iraniano, já que o petróleo representa cerca de 10% a 15% do PIB do país.

Trump disse à emissora Fox News que “não vamos deixar o Irã lucrar vendendo petróleo para quem eles gostam e não para quem eles não gostam”, afirmando que o objetivo do bloqueio naval americano era permitir a passagem de “tudo ou nada” pelo estreito de Ormuz.

Analistas sugerem que as declarações de Trump e o bloqueio naval visam pressionar o Irã a fechar um acordo de paz nos termos americanos, algo que não ocorreu nos últimos dias.

No programa “Face the Nation” (“Encarando a Nação”, em tradução livre), da emissora americana CBS, o congressista republicano Mike Turner, de Ohio, afirmou que o bloqueio naval norte-americano era uma forma de forçar uma resolução para o fechamento do estreito de Ormuz.

As consequências do bloqueio

A estratégia de Trump, porém, pode ser uma faca de dois gumes.

Enquanto a principal fonte de renda do governo iraniano é interrompida, por outro lado, com o bloqueio do pouco petróleo que ainda passava pelo Estreito de Ormuz, o preço da commodity pode voltar às alturas, o que pressiona ainda mais a inflação global e a norte-americana.

Desde ontem, o preço do Brent — referência internacional — chegou a subir mais de 8%, ultrapassando os US$ 100 por barril.

Para além do preço, alguns analistas também apontam que o bloqueio pode pressionar países com forte dependência do petróleo do Golfo, especialmente a China, a adotar uma postura mais ativa para influenciar o Irã. Principal compradora de petróleo da região, Pequim teria interesse direto na estabilização do fluxo energético.

Por fim, o bloqueio também pode colocar em risco o frágil cessar-fogo de duas semanas estabelecido entre EUA e Irã.

No domingo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que qualquer embarcação militar que tente se aproximar do Estreito de Ormuz será considerada uma violação do cessar-fogo e será tratada de forma severa e decisiva.

O regime iraniano chamou a ação dos EUA de “ilegal e um exemplo de pirataria”.

Fonte: g1
Nélio Wanderley

Nélio Wanderley

CEO da Posto Seguro Brasil e sócio da Nortear Energy empresas de Consultoria e de Assessoria ao mercado de combustíveis Graduado em Administração e Gestão Comercial, Pós-graduado em Marketing, Pós-graduando em Gestão Pessoas e Comportamento Organizacional. Experiência profissional de mais de 30 anos na área Comercial, Gestão de Novos negócios (desenvolvimento de carteiras nas Distribuidoras de Petróleo), Gestão de Projetos, Gestão de Lubrificantes e Gestão de Rede de Postos, com carreira desenvolvida em empresas como: Atlantic, Ipiranga e Ale.

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