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A transformação da liderança agrícola brasileira em protagonismo global na energia limpa foi o foco do último painel do VEJA Fórum de Energia 2026, realizado nesta segunda-feira, 27 de abril, no hotel The Westin, no Itaim Bibi, em São Paulo. Promovido por VEJA e VEJA NEGÓCIOS, o evento reuniu autoridades e executivos para discutir segurança energética, competitividade e transição da matriz no país. No encerramento, o debate concentrou-se no potencial do Brasil de converter sua base produtiva em vantagem estratégica no mercado internacional de biocombustíveis.
CEO da Atvos, Bruno Serapião afirmou que o país já reúne condições para ocupar um papel mais relevante na oferta global de energia renovável, como alternativa ao petróleo. “A crise no Oriente Médio destravou a procura por biocombustíveis em países altamente dependentes do petróleo”, explicou.
Na avaliação do executivo, a competitividade brasileira está diretamente ligada à eficiência da cadeia integrada de biocombustíveis. O modelo integrado, que combina produção agrícola, industrialização e aproveitamento de resíduos, permite ganhos de escala e redução de emissões. “O etanol brasileiro tem menor pegada de carbono, é mais barato e pode substituir diretamente a gasolina”, afirmou.
Serapião também ressaltou que essa capacidade não depende de tecnologia externa. “Essa é uma tecnologia desenvolvida no Brasil, que pode ser exportada para o mundo”, disse. Segundo ele, há espaço para ampliar a produção utilizando áreas já degradadas, sem necessidade de desmatamento.
O executivo destacou ainda a integração entre produção de alimentos e energia, tema recorrente no debate internacional. Para ele, o avanço dos biocombustíveis pode coexistir com o aumento da produção agrícola, ampliando a eficiência do uso da terra.
“As mudanças climáticas já afetam diretamente a produção agrícola e exigem novas formas de planejamento”, disse, ao mencionar a necessidade de maior precisão na gestão de safras e produtividade.
No campo da descarbonização, o executivo destacou que o etanol de cana brasileiro apresenta intensidade de carbono significativamente inferior à de alternativas internacionais, reforçando sua competitividade no processo de transição energética. “A proposta é transformar a empresa em uma plataforma global de biocombustíveis”, afirmou.
O painel encerrou o fórum com a avaliação de que o Brasil não apenas possui vantagens naturais e produtivas, mas também capacidade tecnológica para liderar a transição energética em segmentos específicos. O desafio, segundo os participantes, está em converter esse potencial em escala global e consolidar o país como fornecedor estratégico de energia limpa.
Fonte: VEJA Negocios




