Diesel no Brasil sobe metade dos EUA e é o 2º mais barato da América Latina

Foto: Reprodução da Internet

O Brasil tem adotado uma estratégia clara, mas que tem riscos: amortecer a pancada da volatilidade do petróleo no bolso do consumidor. Desde o início da guerra no Irã, o diesel nas bombas brasileiras subiu praticamente a metade do registrado nos Estados Unidos e na Europa.

A escolha por esse caminho gera algum alívio para o motorista, mas coloca o Brasil como vendedor do segundo diesel mais barato entre as grandes economias da América LatinaÉ essa situação que está por trás do alerta do setor de combustíveis.

Em economias maduras como a Noruega — que, assim como o Brasil, é grande exportadora de óleo bruto —, a alta foi de 44,3%. Na Alemanha e na França, os reajustes bateram 30,9% e 27,8%, respectivamente.

Os números mostram que a estratégia da Petrobras tem cumprido o papel de blindar o motorista contra a volatilidade imediata dos preços negociados em Houston ou Londres.

Hoje, o litro do diesel no Brasil equivale a US$ 1,248. No Uruguai, vizinho imediato e dono do diesel mais caro da região, o valor chega a US$ 1,899.

Na prática, ao cruzar a rua que divide Santana do Livramento (RS) de Rivera (Uruguai), o motorista encontra um combustível 52% mais caro.

Entre os demais países da região, o diesel é mais caro e é vendido com preço equivalente a US$ 1,612 no Peru, US$ 1,543 no México, US$ 1,432 na Argentina e US$ 1,333 no Chile.

Entre as grandes economias da região, o Brasil só perde para a Colômbia (US$ 1,074), que mantém há anos subsídios no mercado de diesel e tem reduzido gradualmente a intervenção nos preços.

O nó da importação

O problema é que o diesel é uma commodity global. Na prática, é um produto que fala em dólar. Essa interconexão significa que, quando o barril sobe por tensões geopolíticas, o movimento deveria ser sincronizado para manter o equilíbrio do fluxo comercial.

Para o importador privado que opera no Brasil, a conta simplesmente não fecha: o custo para trazer o produto de fora é muito superior ao preço de venda ditado pela Petrobras no mercado interno.

É o que o mercado chama de “janela de importação fechada”. Sem o alinhamento de preços, o setor privado perde o incentivo financeiro para operar. O alerta recente de desabastecimento não é alarmismo, é matemática: se não há paridade, o combustível para de chegar aos portos, pois ninguém importa para realizar prejuízo.

O alívio na bomba hoje pode se transformar em dor de cabeça se a guerra continuar por muito tempo.

Fonte: CNN
Nélio Wanderley

Nélio Wanderley

CEO da Posto Seguro Brasil e sócio da Nortear Energy empresas de Consultoria e de Assessoria ao mercado de combustíveis Graduado em Administração e Gestão Comercial, Pós-graduado em Marketing, Pós-graduando em Gestão Pessoas e Comportamento Organizacional. Experiência profissional de mais de 30 anos na área Comercial, Gestão de Novos negócios (desenvolvimento de carteiras nas Distribuidoras de Petróleo), Gestão de Projetos, Gestão de Lubrificantes e Gestão de Rede de Postos, com carreira desenvolvida em empresas como: Atlantic, Ipiranga e Ale.

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