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Usina flex é o futuro — mas quem vai garantir o consumo do etanol?

Foto: Reprodução da Internet

A transição industrial do setor bioenergético passa, cada vez mais, por uma palavra-chave: flexibilidade. Para Ana Lúcia Chuina, CEO do Grupo Novo Milênio, a usina flex deixa de ser tendência e se consolida como estratégia de competitividade, especialmente em estados como Mato Grosso, onde o avanço do milho redesenha o mapa produtivo do etanol.

Durante entrevista ao JornalCana 360, a executiva destacou que o último ciclo foi marcado por decisões difíceis, sobretudo na fabricação de açúcar, atividade nova para o grupo. A integração entre duas estruturas industriais de perfis distintos exigiu ajustes operacionais rápidos em um cenário de preços desfavoráveis. O aprendizado, porém, já está sendo convertido em melhorias para a safra 2026/27, que também nasce sob pressão de mercado e exigirá eficiência extrema e controle de custos.

Usina flex entra no radar estratégico

O crescimento acelerado do etanol de milho no Mato Grosso é um fator central nessa reconfiguração. Segundo Ana Lúcia, o combustível derivado do grão ganhou protagonismo por sua competitividade de custo. E também pelo avanço das plantas industriais dedicadas ao cereal. Nesse contexto, a cana precisa se reinventar — e a usina flex surge como resposta.

Grupo Novo Milênio já avalia a implantação desse modelo em uma de suas unidades. A estratégia permitiria equilibrar a produção entre cana e milho, ampliando a capacidade de adaptação às oscilações de mercado. E fortalecendo a geração de subprodutos, como DDG e DDGS, que encontram mercado regional na pecuária mato-grossense.

Produção cresce, consumo não acompanha

Mato Grosso já figura entre os maiores polos de etanol do país, com produção anual na casa dos bilhões de litros e projeção de crescimento acelerado até o fim da década. O problema, segundo a executiva, é que o consumo não avança na mesma velocidade.

Grande parte do volume produzido ainda depende do transporte rodoviário. O que encarece o produto e reduz a competitividade. O setor volta a discutir alternativas logísticas estruturantes. Como expansão ferroviária e projetos de etanolduto, capazes de reduzir custos de escoamento e integrar o estado aos principais centros consumidores e portos.

“O consumo está nas nossas mãos”

A CEO defende que o setor precisa agir diretamente para ampliar o uso do etanol na frota flex brasileira. Hoje, a participação do biocombustível no abastecimento ainda está abaixo do potencial.

A meta, segundo ela, é clara: elevar significativamente o percentual de motoristas que optam pelo etanol, reduzindo a dependência das exportações e equilibrando a oferta crescente. Enquanto projetos como SAF e novas rotas tecnológicas avançam, fomentar o consumo imediato é a ferramenta mais rápida para sustentar margens e dar estabilidade ao mercado.

BioMilho Brasil 2026

As usinas de cana que ainda não são flex terão no BioMilho Brasil 26 a oportunidade para se aprofundar mais nessa movimentação que o etanol de milho está provocando no mercado. 

Com o crescimento do etanol de milho e sua integração às usinas de cana, o evento se posiciona como espaço estratégico para quem precisa decidir sobre diversificação industrial, eficiência produtiva e novos mercados. 

Fonte: JORNAL CANA
Nélio Wanderley

Nélio Wanderley

CEO da Posto Seguro Brasil e sócio da Nortear Energy empresas de Consultoria e de Assessoria ao mercado de combustíveis Graduado em Administração e Gestão Comercial, Pós-graduado em Marketing, Pós-graduando em Gestão Pessoas e Comportamento Organizacional. Experiência profissional de mais de 30 anos na área Comercial, Gestão de Novos negócios (desenvolvimento de carteiras nas Distribuidoras de Petróleo), Gestão de Projetos, Gestão de Lubrificantes e Gestão de Rede de Postos, com carreira desenvolvida em empresas como: Atlantic, Ipiranga e Ale.

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