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Goldman eleva previsão para petróleo por interrupções em Hormuz e estoques menores

Foto: Reprodução da Internet

O Goldman Sachs revisou para cima suas projeções para o petróleo diante da deterioração do quadro geopolítico no Oriente Médio e das interrupções nos fluxos de exportação da região. Segundo o banco, as restrições no transporte pelo Estreito de Hormuz e a perspectiva de queda acentuada nos estoques globais passaram a sustentar um cenário de preços mais elevados no curto prazo.

O contrato do Brent já acumulou valorização expressiva em 2026, com alta próxima de 34% no ano e cotação ao redor de US$ 82 por barril. O movimento reflete a redução drástica dos embarques que atravessam o Estreito de Hormuz, danos em parte da infraestrutura energética regional e gargalos logísticos de armazenamento que levaram o Iraque a reduzir sua produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia.

Diante desse quadro, o banco passou a trabalhar com a hipótese de o Brent permanecer próximo de US$ 80 ao longo de março. O mercado ainda tenta calibrar o impacto das interrupções, que apresentam sinais mistos. Há expectativa de recuperação gradual do fluxo pelo estreito, mas ao mesmo tempo surgem novos indícios de paralisações operacionais e perdas de oferta na região.

Às 7h50 de Brasília, o barril do Brent estendia a forte alta dos pregões anteriores, ao subir 1,2%, a US$ 82,28, enquanto o barril do Texas (WTI) se valorizava 0,47%, a US$ 74,86.

O Goldman Sachs também revisou suas estimativas de médio prazo. A projeção média para o Brent no segundo trimestre de 2026 foi elevada em US$ 10, passando de US$ 66 para US$ 76 por barril. Para o WTI, referência do petróleo nos Estados Unidos, a estimativa subiu US$ 9, de US$ 62 para US$ 71.

A revisão parte de duas premissas centrais. A primeira é a continuidade de disrupções relevantes no fornecimento no curto prazo. No cenário traçado pelo banco, os embarques através do Estreito de Hormuz permaneceriam próximos de apenas 15% do fluxo normal por cerca de cinco dias, antes de uma recuperação gradual para 70% ao longo de duas semanas e posterior normalização nas semanas seguintes.

Segundo os estrategistas liderados por Daan Struyven, esse cenário implicaria perdas expressivas de produção no Oriente Médio. O banco estima cerca de 200 milhões de barris de produção não realizada na região em março, ao mesmo tempo em que os estoques comerciais da OCDE poderiam sofrer uma redução acentuada. A projeção atual aponta queda de aproximadamente 76 milhões de barris no mês, revertendo a expectativa anterior de aumento de 10 milhões.

Além do choque de oferta, o Goldman Sachs avalia que o ambiente geopolítico continuará sustentando um prêmio de risco relevante nas cotações. O banco destaca que as tensões envolvendo Irã e também o conflito entre Rússia e Ucrânia tendem a manter elevado o componente geopolítico embutido no preço do petróleo ao longo do segundo trimestre de 2026.

Ainda assim, os analistas destacam que o balanço de riscos permanece inclinado para um cenário de alta. Entre os fatores que poderiam pressionar ainda mais os preços estão interrupções prolongadas nas exportações através do Estreito de Hormuz ou danos adicionais a instalações de produção no Oriente Médio.

Em um cenário mais extremo, caso os fluxos pelo estreito permaneçam deprimidos por mais cinco semanas, o Goldman Sachs estima que o Brent poderia avançar para a região de US$ 100 por barril, à medida que o mercado reagiria para evitar uma queda excessiva nos níveis de estoque.

Por outro lado, uma retomada mais rápida da circulação de petróleo pelo Estreito de Hormuz aparece como o principal vetor de correção para as cotações no curto prazo.

Fonte: Investing.com
Nélio Wanderley

Nélio Wanderley

CEO da Posto Seguro Brasil e sócio da Nortear Energy empresas de Consultoria e de Assessoria ao mercado de combustíveis Graduado em Administração e Gestão Comercial, Pós-graduado em Marketing, Pós-graduando em Gestão Pessoas e Comportamento Organizacional. Experiência profissional de mais de 30 anos na área Comercial, Gestão de Novos negócios (desenvolvimento de carteiras nas Distribuidoras de Petróleo), Gestão de Projetos, Gestão de Lubrificantes e Gestão de Rede de Postos, com carreira desenvolvida em empresas como: Atlantic, Ipiranga e Ale.

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