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Caso os Estados Unidos sejam bem sucedidos em exercer um controle maior sobre as reservas petrolíferas da Venezuela após o sequestro de Nicolás Maduro, empresas brasileiras como a Petrobras podem sofrer efeitos indiretos devido à queda do preço do petróleo.
Preços mais baixos significam maior pressão sobre o lucro das petroleiras, após um 2025 já marcado por uma forte desvalorização da commodity. O barril WTI despencou 19,9% no ano passado, registrando seu pior desempenho anual desde 2020, enquanto o Brent encerrou o período com uma queda de aproximadamente 14,3%. “Para a Petrobras não é bom, porque perde receita”, segue Pires.
No primeiro pregão após a invasão da Venezuela, o petróleo teve variação positiva, de cerca de 1%. “Isso ocorre principalmente porque esse tipo de evento gera insegurança, e a insegurança é um fator básico para a elevação do preço de qualquer produto ou de commodities”, explica o advogado Marcelo Godke, especialista em Direito Internacional Empresarial. “No entanto, no médio e no longo prazos, o cenário me parece o oposto.”
As consequências de médio e longo prazo para as empresas nacionais permanecem indefinidas. Caso a quantidade de petróleo disponível aumente globalmente e os preços caiam, seus lucros serão afetados.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, minimizou o problema e disse que um crescimento na produção venezuelana dependerá de investimento, não sendo algo que pode ser feito “em 24 horas”.
Toda análise sobre o futuro do mercado global ainda esbarra na grande incerteza sobre a Venezuela. “A gente tem que buscar entender como vai ser uma eventual transição política. A Delcy Rodríguez vai ficar no poder até efetivamente terminar o mandato do Maduro? Ela vai convocar novas eleições? Não sabemos”, comenta o cientista político Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Caso as disputas se acirrem e os Estados Unidos não consigam realizar seu plano de ampliar a produção de petróleo venezuelana, o efeito pode ser radicalmente o oposto a uma queda de preços. “Eu acho que tem que ficar bem cuidadoso com o petróleo, porque não temos essa notícia boa vindo imediatamente. Gostaria de falar diferente, mas é isso”, analisa o economista Carlos Honorato, professor da FIA Business School.
Fonte: iSTO É DINHEIRO




